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Dor e analgesia multimodal
Dr Luciano Augusto de Jesus

Dor e analgesia multimodal

 

Conceito de dor

 

Dor é definida, pela Associação Internacional para Estudo da Dor, como experiência sensorial e emocional desagradável, relacionada com lesão tecidual real ou potencial.

A dor tem sido subtratada em decorrência de fatores como a não valorização da queixa do paciente, desconhecimento da Farmacologia e do fármaco que se quer prescrever e medo excessivo dos efeitos adversos, principalmente dos opioides. O tratamento da dor não deve estar limitado a eliminar a sensação dolorosa, mas sim, dar alívio ao paciente que apresenta dor.

 

Componentes da dor

 

São a atividade do sistema nervoso aferente induzida por estímulos nocivos (nocicepção) e a reatividade emocional à dor.

A nocicepção é igual em todas as pessoas com integridade em vias nervosas, porém o componente emocional é variável e está condicionado a traumas, informações de terceiros e fatores socioculturais.

 

Conceitos incorretos em relação à dor

 

•    Os pacientes que apresentam dor sempre possuem sinais observáveis.

O paciente pode permanecer estático e não manifestar nenhuma reação, mesmo diante de um quadro intenso de dor.

•    A presença de patologia óbvia ou o tipo de cirurgia determinam a existência e a intensidade da dor.

Cirurgias pequenas podem precipitar grandes dores e vice-versa.

•    Os pacientes desenvolvem tolerância à dor.

Os pacientes não podem esperar quando sentem dor. Devem ser medicados o mais rápido possível e de maneira eficaz. Ninguém se acostuma com a dor. Ela gera ansiedade, que se não tratada, vira depressão.

 

A dor aguda

 

É autolimitada e deve resolver-se com a involução da lesão. Exige atuação de forma agressiva. Responde com tratamento a analgésicos e a terapêutica da causa.

 

 Como ocorre a dor?

 

O evento inicial consiste na presença de estímulos nocivos que provocam destruição ou lesão tecidual. Em seguida ocorre liberação ou síntese de mediadores bioquímicos envolvidos no processo álgico, como histamina, prostaglandinas e bradicinina, interagindo com nociceptores periféricos em terminações nervosas livres.

Ocorre deflagração de sinais de dor a partir da área de lesão tecidual.

A histamina é liberada das vesículas dos mastócitos, aumentando a permeabilidade capilar, causando edema, eritema, sensibilização de terminações nervosas e migração de células como leucócitos e linfócitos.

Histamina e bradicinina apresentam meia-vida curta e participam das fases iniciais da lesão tecidual, pois são rapidamente biotransformadas.

Prostaglandinas são responsáveis por períodos mais duradouros da dor e da inflamação. Prostaglandinas e dopamina sensibilizam tecidos na presença de inflamação (hiperalgesia).

As terminações ficam mais receptivas à ação da bradicinina e histamina, substâncias indutoras de dor. Os estímulos são conduzidos por vias nervosas aferentes sensitivas ao sistema nervoso central. No tálamo e córtex ocorre a integração da sensação dolorosa e a modulação da dor pelo cérebro pelas vias descendentes inibitórias.

Em resumo, o mecanismo da dor envolve a sensibilização de nociceptores (processo de iniciação). A informação é levada ao sistema nervoso central pela via aferente sensitiva (propagação), onde há a interpretação (percepção) e modulação (via descendente inibitória) da dor.

 

Analgesia multimodal

 

A analgesia multimodal consiste na associação de diferentes fármacos, com diferentes mecanismos de ação, agindo em diferentes pontos (iniciação, propagação e percepção), bloqueando a dor de forma efetiva.

Anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos opioides, anestésicos locais e fármacos adjuvantes (relaxantes musculares, antieméticos, antidepressivos, corticosteroides) podem ser administrados em um mesmo tempo, promovendo a potenciação da dor. Com isso, pequenas doses de cada fármaco, obtêm efeito sinérgico (somático) antinociceptivo, reduzindo, com isso, os efeitos colaterais.