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Reações adversas a fármacos
Dr Luciano Augusto de Jesus
Reações adversas à fármacos são respostas prejudiciais ou indesejáveis, não intencionais a um determinado medicamento,
que se manifesta após administração de doses normalmente utilizadas.

Para prevenir as reações adversas a fármacos é importante:

a) selecionar adequadamente o fármaco, levando em consideração seu uso racional;
b) usar esquemas posológicos adequados;
c) sempre investigar, antes de qualquer prescrição, o histórico farmacológico do paciente
e sua reações alérgicas.


As principais reações adversas são:

1. Efeitos tóxicos são decorrentes do uso de doses excessivas.
Temos a toxicidade absoluta quando o paciente normorreativo recebe uma dose tóxica de um fármaco
e toxicidade relativa quando um paciente insuficiente renal,
por exemplo, recebe uma dose terapêutica normal sem ajuste na prescrição.

2. Efeitos colaterais são efeitos decorrentes de doses terapêuticas.
Por exemplo: irritação gástrica com uso de anti-inflamatórios não-esteróides e xerostomia decorrente
do uso de alguns antidepressivos.

3. Efeitos secundários são consequentes da ação primária. A superinfecção (diarréia, candidíase), após uso prolongado de antibióticos,
é um exemplo dessa reação adversa.

4. Efeitos teratogênicos
Um fármaco teratogênico é aquele capaz de gerar uma alteração fetal.

5. Reação alérgica
Alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico após a exposição a um determinado fármaco em indivíduos predispostos geneticamente. 
As reações adversas variam na sua gravidade, podendo causar desde uma pequena irritação até uma anafilaxia, emergência grave e potencialmente fatal.
Reação adversa a um fármaco é definida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como "qualquer efeito nocivo, não intencional e indesejado de uma droga,
observado nas doses terapêuticas habituais em seres humanos para fins terapêuticos, profiláticos ou diagnósticos." A alergia a fármacos ocorre quando há envolvimento do
sistema imunológico, que interpreta o fármaco como uma substância capaz de causar algum dano ao organismo e o ataca. Na primeira administração do fármaco,
um anticorpo específico é acionado, a partir da segunda exposição haverá a manifestação alérgica.

6. Idiossincrasia

É uma reação genética (qualitativa) que alguns pacientes apresentam após o uso de um fármaco e para qual não existe uma justificativa coerente. Esta reação adversa geralmente aparece na primeira administração do fármaco. A hipertermia maligna é um exemplo de reação idiossincrática, onde ocorre uma mutação de um canal de cálcio da musculatura esquelética, com liberação excessiva de cálcio no músculo na presença de alguns anestésicos gerais. Isso pode gerar uma destruição da fibra muscular esquelética com elevado consumo de energia, aumento de produção de CO2 e rápido aumento da temperatura corporal, podendo evoluir para um colapso do sistema cardiovascular.

 

7. Tolerância

É a necessidade do aumento gradativo da dose para obter o mesmo efeito. A tolerância é decorrente do uso repetido do fármaco. Quando alguns fármacos (p. ex. morfina) são usados por períodos longos, necessitam de doses cada vez maiores para produzir o mesmo efeito.

 

8. Dependência

Reação orgânica adaptativa devido a exposição repetida ao fármaco. A dependência pode ser física ou psicológica. 

 

9. Síndrome de retirada

Aparecimento de manifestações clínicas com a suspensão abrupta do fármaco.

 

10. Efeito rebote

A interrupção do fármaco determina recrudescimento dos sintomas iniciais da doença.

 

11. Efeito paradoxal

Aparecimento de manifestações opostas aos efeitos determinados pleo fármaco administrado.

 

É importante, durante o tratamento farmacológico, que o paciente tenha o monitoramento das possíveis reações adversas.

 

MANEJO DAS REAÇÕES ADVERSAS

  • Indução de vômitos;
  • lavagem gástrica;
  • administração de antídotos;
  • medidas de suporte para acelerar a eliminação;
  • manter funções vitais até a eliminação.