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Vias de administração e farmacocinética
Dr Luciano Augusto de Jesus

 QUE É FARMACOLOGIA?

“...ciência que se destina ao destino e às ações das drogas no organismo.”

 

Conceitos iniciais importantes:

        1. Farmacodinâmica

Estuda o mecanismo de ação e atividade biológica exercida por um fármaco.

        2. Farmacocinética

Trata da duração do efeito do fármaco, relatando os aspectos de sua ação ao considerar dose, absorção, distribuição e destino das substâncias químicas nos sistemas vivos.

        3. Farmacoterapia

Refere-se a seleção apropriada de um fármaco para o tratamento de um estado patológico específico.

        4. Remédio

Recurso para curar a enfermidade.

        5. Medicamento

É o produto farmacêutico.

Tylenol® (paracetamol)

Tylex® (paracetamol + codeína)

        6. Droga

 É de onde se extrai o princípio ativo.

        7. Fármaco

 Substância cuja ação é responsável pelo efeito terapêutico.

 Amoxicilina

 Lidocaína

 

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

Estruturas orgânicas com as quais o fármaco toma contato, antes de iniciar os processos farmacocinéticos.

Vias enterais

Oral, bucal, sublingual e retal.

Vias parenterais diretas

Intravenosa, intramuscular, subcutânea, intradérmica, intra-arterial, intracardíaca, intratecal, peridural, intra-articular

Vias parenterais indiretas

Cutânea, respiratória, conjuntival, geniturinária, intracanal.

  

METODOS DE ADMINISTRAÇÃO

Método pelo qual a via é abordada. Os fármacos podem ter efeitos locais ou sistêmicos. Deglutição, sondagem gástrica, injeção.

 

FORMAS FARMACÊUTICAS

Comprimidos, cápsulas, drágeas, suspensões, emulsões, elixires, xaropes, soluções.
 

Características da via oral

  • Administração pela boca;
  • absorção (boca, intestino delgado, estômago e intestino grosso)
  • via mais comum;
  • comodidade de uso;
  • menor custo;
  • concentração plasmática gradual.

 

Quando não usar a via oral?

  • Fármacos:
    • com pouca absorção;
    • inativados pelo suco gástrico;
    • complexos insolúveis com alimentos;
    • metabolismo de 1a passagem;
    • irritáveis (mucosa digestiva);
    • êmese;
    • impossibilidade de deglutição.

 

Características da via bucal

  • Efeitos locais;
  • soluções, géis, colutórios, orobases, dentifrícios, vernizes e dispositivos de liberação lenta;
  • aplicação, fricção, instilação, irrigação, aerossol e bochechos.

 

Características da via sublingual

  • Retenção + prolongada do fármaco;
  • absorção rápida (sangue);
  • comprimidos dissolvidos.

 

Características da via retal

  • Pacientes (vômitos, inconscientes, crianças);
  • proteção do fármaco;
  • icomodidade;
  • efeitos irritativos;
  • absorção errática;
  • soluções, suspensões e supositórios;
  • aplicação e enema.

 

Características da via intravascular

  • Efeito imediato;
  • níveis plasmáticos previsíveis;
  • biodisponibilidade 100%.

Indicações:

  • Emergências médicas / doenças graves;
  • choque;
  • substâncias irritantes por outras vias.

 

Características da via intramuscular

  • Depende do fluxo sanguíneo local e do grupo muscular utilizado;
  • soluções aquosas, oleosas e suspensões;
  • injeção profunda;
  • volume máximo 10 ml;
  • formulações de absorção sustentada.

 

Características da via subcutânea

  • Sob pele;
  • liberação pequena e constante;
  • maior latência;
  • soluções, suspensões e “pellets”;
  • 0,5 a 2 ml.

 

Via intradérmica

  • Contacta fármaco com a derme;
  • absorção mais lenta que a SC.

 

Via intra-tecal

  • Espaço subaracnoidiano (raqui);
  • fármacos que não atravessam a barreira hematoencefálica (BHE).

 

Via peridural

  • Anestesia de medula espinhal.

 

Via intra-arterial

  • Altas concentrações locais de fármacos.

 

Via cutânea

  • Pele (efeitos tópicos);
  • soluções, cremes, pomadas, óleos.

 

Via mucosa

  • Áreas mais vascularizadas (fácil absorção);
  • cremes, pomadas, géis, soluções, suspensões.

 

Via respiratória

  • Se estende da mucosa nasal até os alvéolos;
  • efeitos locais e sistêmicos;
  • grande vantagem: administração de pequenas doses para rápido início de ação e poucos efeitos adversos.

 

Via conjuntival

  • Efeitos locais.

 

Via intra-canal

  • Uso odontológico exclusivo;
  • efeito local;
  • é uma via parenteral.

 

FARMACOCINÉTICA

 

MECANISMOS DE TRANSPORTE

 

Processos passivos

•difusão simples
•difusão por poros
 

Processos especializados

•difusão facilitada
•por troca
•transporte ativo
•pinocitose
•fagocitose
•exocitose
 
PROCESSOS FARMACOCINÉTICOS
 
1. ABSORÇÃO
 
•Influencia o início de efeito;
•determinante de escolha de via e dose;
•absorção deve ser adequada.

Absorção lenta - efeito retardado

Absorção errática - resposta imprevisível

 

A absorção depende:

•Movimentos transmembranas;
•fluxo sangüíneo (sítio absortivo);
•extensão / espessura (superfície);
•via escolhida.

Situações fisiológicas (menstruação)

Situações patológicas (edema, inflamação)

 

A velocidade absortiva depende:

•Dosagem;
•fórmulas (sólidas / líquidas);
•grau de hidratação / dissolução;
•estabilidade química (suco gástrico);
•esvaziamento gástrico;
•trânsito intestinal / fluxo sangüíneo;
•Flora bacteriana / alimentos.
 
BIODISPONIBILIDADE é a quantidade de fármaco que seja inalterada na corrente sanguínea. Situações clínicas que alteram a farmacocinética, podem modificar a biodisponibilidade. Exemplos: metabolismo hepático, disfunção hepática, insuficiência cardíaca congestiva.

 

2. DISTRIBUIÇÃO

 

É a passagem do fármaco do local onde foi administrado (sítio de aplicação) para a corrente sanguínea. O fármaco é distribuído, na corrente sanguínea, ligado a proteínas plasmáticas, principalmente a albumina. O fármaco livre, ou seja não ligado a nenhuma proteína, é o responsável pelo ação farmacológica. O fármaco livre age, é metabolizado e excretado. A fração livre é aumentada na hipoalbuminemia (cirrose), em pacientes geriátricos (menor capacidade de ligação a fármacos, gestação (hemodiluição). 

 

MEIA-VIDA PLASMÁTICA é o tempo necessário para que a quantidade original da dose seja reduzida à metade.

 

3. BIOTRANSFORMAÇÃO

 

 

A biotransformação ocorre princialmente no fígado. Geralmente a biotransformação inativa os fármacos, mas pode ativá-los também. Uma substância inativa que tenha um metabólito ativo é denominada profármaco. Os fármacos podem ser biotransformados por oxidação, redução, hidrólise e conjugação. O objetivo da biotransformação é favorecer a excreção do fármaco, tornado-o hidrossolúvel. A biotransformação é variável nos pacientes. A biotransformação é influenciada por fatores genéticos, doenças (hepatopatias crônicas e insuficiência cardíaca avançada) e interações entre fármacos (indução ou inibição enzimáticas).

A biotransformação ocorre em duas fases. Nas reações da fase I ocorrem a oxidação, a redução e a hidrólise). As reações da fase II envolvem a conjugação com ácido glicurônico. Na fase I, o fármaco pode ser alterado ou inativado. Na fase II, ele é inativado.

 

METABOLISMO DE PRIMEIRA PASSAGEM

 

Os fármacos,por via oral, são absorvidos pelo trato gastrintestinal e transportados até o fígado pelo sistema porta.

Sendo assim, o fígado metaboliza os fármacos antes de alcançarem a circulação sistêmica e seus órgãos-alvo.

Se o metabolismo hepático for extenso, a quantidade de fármaco que irá alcançar o tecido-alvo será muito menor do que a quantidade administrada por via oral.

A lidocaína é inativada com tanta eficiência em sua primeira passagem pelo fígado que não podem ser administrados por via oral, como agente antiarrítmico (biodisponibilidade de 3%).

 

CIRCULAÇÃO ÊNTERO-HEPÁTICA

 

O fármaco secretado na bile é reabsorvido do intestino para a circulação. O fígado e o intestino, nesse caso, criam um "aprisionamento" do fármaco, prolongando sua ação com níveis plasmáticos mais baixos. O fármaco, após passar pelo fígado, é excretado pela bile até o trato gastrintestinal. Em seguida, este fármaco é absorvido pela corrente sangüínea e volta ao fígado sendo excretado novamente pela bile. Esse ciclo se  repete várias vezes. A circulação êntero-hepática aumenta o período de ação do fármaco.

 

4. EXCREÇÃO

 

 

Excreção é a passagem do fármaco da circulação sanguínea para o meio externo, sendo então removidos de nosso organismo. Os principais órgãos de excreção compreendem: os rins, os pulmões, as glândulas lacrimais e salivares e o trato digestivo (fezes e secreção biliar). Os medicamentos ainda podem ser excretados pelo suor e leite materno, porém o os rins é a mais importante via de excreção de fármacos.

Na excreção renal ocorrem três processos básicos:

- filtração glomerular;

- secreção tubular ativa;

- reabsorção tubular distal (difusão passiva pelo epitélio tubular).